Era mañana. Estaba seguro que sí. Abrió los ojos y ella ya no estaba. No podía recordar cuando la había visto por última vez. Sólo recordaba  su beso y luego su silueta pasando por la puerta. Volvió a cerrar los ojos y fue como si ella estuviera otra vez a su lado, allí bajo la manta. “¿En que estás pensando?” pregunto ella. Él, huyendo de la pregunta, repreguntó: “¿Qué?”. Ella le explica, poniendo ambas cabezas bajo la sábana,  que sólo debería decir lo primero que le venga a la mente. Y él, tímido como siempre, no quiso revelar nada y respondió con otra pregunta: “¿De qué estás hablando?”. Ella lo toca en la nariz y dice “Tu”. Él dice: “¿Yo?”. Ella le dice que sí con la cabeza. Él se ríe y la acusa de estar loca. Ella deja de sonreír y dice en voz baja “Tú eres la primera cosa en la que pienso”. Él se queda en silencio. 

Él vuelve a abrir los ojos y se acuerda de todo.  Habían pasado dos días que no la veía y parecía un siglo. Cuarenta y ocho horas en la que su única compañía había sido una sábana blanca. Quizás Einstein había comenzado a pensar en la relatividad del tiempo de esa manera. Era lo que pensaba mientras se ponía de pie.

 

 


………..sobre as pequenas coisas……….


O frio voltou. E com ele veio a chuva. Ou foi o contrário? As vezes a ordem dos fatores altera tudo. Porque veio também saudades das terras quentes ou frias daí. Se fosse a chuva depois do frio, talvez a falta fosse menor.


Uma formiga andando no meio do azulejo da cozinha. Seria uma coisa banal, não fosse você dançando ao som de Beatles, com as mãos para cima, com toda a empolgação que Dizzi Miss Lizzie merece.


Um único dia com você seria assim: seria domingo e teria sol.


Completamente. Ela disse, bêbada, olhando-se no espelho enquanto falava com ele ao telefone.Passa as mãos nos cabelos, vira-se de um lado para o outro, delinea com os dedos as olheiras que parecem maiores que as de ontem - é preciso comprar uma base nova, ela pensa - . De repente, ao olhar-se profundamente no espelho por uma última vez, percebe que o “completamente” não é advérbio de seu estado alcoólico e, sim, como tem se sentido ao lado dele.


Faz dois dias que não te vejo. E já parece um século. Quarenta e oito horas é o que dura um século quando minhas únicas companhias são essas paredes beges e o cheiro de álcool gel que infesta o ar.Faz dois dias. E parece um século.
Acho que Einstein começou a pensar em relatividade do tempo assim.


Sabe, eu deveria ter falado tudo pra você antes de te ver indo embora naquela noite. Deveria ter te olhado profundamente – sim, do jeito que você gosta - e ter te feito escutar tudo o que eu tinha pra te dizer. Você estava tão bonita. Acho que foi a primeira vez que  você usou aquele vestido amarelo. E eu queria te falar tanta coisa. O telefone tocou. Você me acordou com um beijo e um “nos falamos mais tarde”. Antes que eu conseguisse focar minha visão de pós-sono, você já tinha ido. E eu tinha tanta coisa pra te falar. A principal era que sonhei que tínhamos algumas estrelas e a mais brilhante se chamava Dagoberto, aquele nome engraçado que você gosta de dar a tudo que não tem nome e que te faz rir.


Ela disse:O que você está pensando nesse exato momento?

Ela disse:O que você está pensando nesse exato momento?

Ele disse: O quê?

Ela disse: Simples, é só falar a primeira coisa que vem a sua cabeça.

Ela disse:O que você está pensando nesse exato momento?

Ele disse: O quê?

Ela disse: Simples, é só falar a primeira coisa que vem a sua cabeça.

Ele disse: Do que você está falando?

Ela disse:você.

Ele disse: eu?

Ela disse:você.

Ele disse:você é louca.

Ela disse: você é a primeira coisa que penso.

Ele fica em silêncio.


Tinha suspirado. Tinha beijado um dos olhos dele. E ele, a ponta da orelha esquerda dela. Tinham vivido em uma noite, todos os sonhos de uma vida. E será possível uma vida em uma noite? Ela pensava assim. E ele, do jeito teimoso só dele, pensava: É possível uma noite como uma vida?Pura inversão de palavras.